Fernando Firpo
Já eram mais de oito horas da noite e o Sol havia se posto há algum tempo.
Eu precisava de uma nova televisão, já que a anterior recusava-se a ligar. Provavelmente uma assistência técnica poderia resolver o problema, mas um ser noturno como eu sempre tem dificuldade para as atividades predominantemente diurnas, era mais fácil comprar um novo produto.
Pela internet eu poderia facilmente e com apenas algumas informações comprar a nova televisão, mas pessoas antigas como eu preferem comprar presencialmente suas necessidades.
Passei rapidamente pela portaria do prédio para pegar a correspondência, quando o zelador do condomínio me cumprimentou e cordialmente disse:
--- Aquela garota novamente o procurou e expliquei de novo que você trabalha de noite e é difícil encontrá-lo durante o dia. Ela disse que virá aqui hoje às nove.
--- Obrigado Seu Cícero. Eu estava de saída, mas vou ficar, quero saber de uma vez o que essa garota quer comigo.
Retornei ao apartamento para aguardar. Eu sempre procurava manter uma presença discreta no condomínio, afim de não atrair a atenção para meus diferentes horários, mas a situação exigia mais informações e providências em caso de necessidade.
Não aguardei muito e logo o interfone reportou a presença na portaria de minha misteriosa visitante. Antes de autorizar a subida olhei a garota pelo canal interno que mostrava a portaria. Parecia ser uma garota comum, magra, cabelos compridos castanhos claros, pele clara, aparentando ter dezessete ou dezoito anos, vestindo um traje esportivo adequado à idade. Eu precisava estar mais próximo dela para saber se ela era ou não um ser humano normal.
Logo a campainha tocou e com curiosidade, mas cautela eu abri a porta e falei:
--- Entre, fique a vontade, em que posso ajudá-la?
Eu já sabia que a garota era um ser humano comum, sua presença é de baixo risco, mas aprendi a nunca subestimar as pessoas, as vezes os erros são cometidos apenas uma vez.
Pude sentir uma grande surpresa na garota, mas nenhuma ameaça imediata. Algo na minha aparência havia chamado muita a atenção dela.
Fisicamente ela procurou ser discreta e tentou esconder a sua surpresa, entrou no apartamento vagarosamente e em silêncio dirigindo-se para o centro da sala.
--- Sente-se senhorita... o porteiro não me disse seu nome...
Sentando-se ela disse:
--- Elisabeth, Elisabeth Gouveia.
Sentei-me também, curioso por saber do que se tratava àquela visita, mas também querendo ser cauteloso. Se a situação o exigi-se minhas capacidades de vampiro seriam ativadas contra a minha visitante para a obtenção de informações.
--- Como posso ajudá-la Senhorita Elisabeth?
Ela respirou um pouco e começou a falar:
--- Só para confirmar, você é William Stone, nascido em Londres em 11 de junho de 1988, tem vinte e dois anos e está a dois anos no Brasil, estou correta?
Às vezes é complicado lembrar as muitas informações falsas constantes em inúmeros documentos falsos, mas as informações eram básicas e pude confirmar sem grande preocupação. Simplesmente respondi:
--- Está correto.
Ela continuou e pude sentir algum grau de alívio, embora a sensação de surpresa ainda estivesse presente em sua mente:
--- Eu tenho algumas informações que devem ser sigilosas, mas sei que você recebe mensalmente a quantia de sete mil dólares, convertidos para moeda local, depositados em sua conta corrente através de uma transferência bancária enviada pela Fundação Sol, que, não sei se você sabe, recebe anualmente uma verba significativa enviada por empresas sediadas na Inglaterra, na França, na Alemanha e nos Estados Unidos. A transferência financeira é mais discreta quando tem procedência de diversas fontes, as transferências estão sendo feitas originadas de mais de vinte empresas diferentes.
As informações haviam me apanhado de surpresa e levei alguns segundos para ordenar as idéias e compreender os detalhes. Já fazia mais de dois anos que todas as minhas atividades financeiras no Brasil haviam sido encerradas e quase todo o montante resultante enviado para aplicações em outros países. A Fundação Sol, empresa sem fins lucrativos, havia sido criada a cerca de quarenta anos em São Paulo, no Brasil, como forma lícita de obtenção de recursos financeiros em caso de necessidade. Estava sendo usada no momento como minha fonte de sustento, fazendo transferências mensais de montantes não muito altos, e também é a legítima proprietária do apartamento que eu vivo.
A garota tinha informações que não seriam muito simples de serem obtidas e que poderiam significar que a identidade William Stone poderia ter que desaparecer. O mais importante era descobrir mais informações antes de tomar decisões, então apenas falei:
--- Você está muito bem informada. Gostaria de saber o motivo de porque me trouxe essas informações.
Ela abriu sua bolsa a procura de algo. Não pude sentir qualquer ameaça, então não tomei qualquer ação defensiva e aguardei. Em alguns segundos ela achou o que procurava e estendeu-me uma foto.
Com cautela peguei a foto, e olhei-a. Era uma foto minha, o papel aparentava ter vários anos, eu estava descendo de um carro que tinha sido meu a uns vinte anos atrás. A foto havia sido tirada sem o meu conhecimento. Cautelosamente falei:
--- É uma pessoa que se parece bastante comigo. Mas o que isso tem a ver com a Fundação Sol?
Ela disse num impulso:
--- Essa pessoa é o meu pai.
Por um instante as velhas lembranças de anos atrás passaram rapidamente nas minhas memórias. Dezenove anos antes eu havia sido humano e mortal por um dia.
Durante a minha identidade anterior eu tive uma parceira fixa durante algum tempo. Alguém que adquiri certo carinho. Alguém que tive relações sexuais como se fosse um homem comum.
Há muito tempo que eu tenho posse de uma antiga poção, feita por anciões vampiros, que pode tornar um vampiro em um humano mortal uma vez a cada cinqüenta anos. O vampiro transformado perde suas capacidades de vampiro e pode sair na luz solar, mas tem as mesmas fraquezas de um ser humano, podendo até ser facilmente ferido ou morto. A poção torna um vampiro vivo por um dia.
Eu sabia que durante o meu dia de vida havia engravidado Suzane e acompanhei-a durante sua gravidez até o nascimento do bebê, quando desapareci de sua vida. Garanti que nada faltaria financeiramente para o crescimento da criança e utilizei a Fundação Sol para a transferência mensal de recursos para Suzane Gouveia, supostamente a mãe daquela jovem que estava a minha frente.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Elisabeth. Eu fiquei indiferente, a situação se tornou de risco, eu não tinha conhecimento de até onde Elisabeth sabia sobre meus segredos, mas mesmo investigações amplas e profundas da Fundação Sol não levariam a descoberta do que eu sou.
Continuei na busca por informações:
--- Então ambos recebemos uma mesada da Fundação Sol e eu me pareço com seu pai a anos atrás, tem outro motivo que a trouxe aqui?
Ela enxugou rapidamente a lágrima derramada e disse:
--- A semelhança entre vocês é muito grande, você sabe a razão pela qual recebe dinheiro da Fundação?
Eu havia deixado escapar que sabia que ela recebia a transferência da Fundação Sol, mas aquela era uma suposição válida para a situação. Estava bastante claro que ela imaginava que eu era seu irmão, seria uma suposição lógica. Minhas opções de omitir a verdade e não levantar muitas suspeitas eram restritas, então resolvi prosseguir nessa linha.
--- Meu pai deixou uma mesada para a minha mãe, depois que eu nasci. Passei a receber uma mesada também quando fiz dezoito anos. Quando vim ao Brasil passei a receber essa mesada pela Fundação Sol.
--- Você conheceu seu pai?
--- Não, minha mãe contou que ele desapareceu após meu nascimento. Isso significa que somos meio irmãos. Posso ajudá-la em mais alguma coisa?
Eu queria afastá-la ao máximo da minha vida, ou isso poderia colocá-la em risco. A pós vida de um vampiro não é a situação mais segura possível. Minha frieza e indiferença a afastariam.
--- Eu esperava que você pudesse me dizer onde está nosso pai, mas vejo que você não sabe e nem se importa.
--- Olha, acho que se ele quisesse nos conhecer, já teria feito isso. Acho que você deveria cuidar da sua vida e esquecer que um dia teve um pai.
Levantando-se ela disse:
--- Acho que vou fazer isso, pelo visto esse é um assunto que não lhe interessa, não lhe incomodarei mais.
Poderia ser arriscado, mas eu precisava de mais informações, então perguntei:
--- Antes de sair, eu gostaria de saber como você obteve essas informações sobre a Fundação?
Ela permaneceu por algum tempo em silêncio. Acho que estava em dúvida se deveria me dizer algo. Por fim disse:
--- Eu invadi os computadores da Fundação e copiei muitas informações. Minha mãe morreu num acidente há dois meses atrás, pensei que assim localizaria meu pai. Se não tiver outras perguntas...
Outras perguntas naquele momento poderiam levantar suspeitas e investigações posteriores revelariam mais. Por hora aquele se tornou um assunto encerrado e encerrei o mais rápido possível aquele encontro:
--- Não, espero que suas atividades não prejudiquem o envio de minha mesada. Passar bem.
Abri a porta e a garota foi rapidamente embora. Eu podia sentir seu desprezo pela minha pessoa quando ela foi embora, mas isso era uma percepção necessária.
Após fechar a porta só pude lamentar. Estivera frente a frente com minha filha, alguém que no fundo dos meus sentimentos eu amava, mas que para sua segurança deveria permanecer longe e desconhecendo suas verdadeiras origens.
Peguei o telefone e disquei o longo número de um celular em Londres. Logo que a pessoa do outro lado me atendeu falei:
--- Kathrin, os computadores da Fundação Sol aqui no Brasil foram violados, é necessária uma manutenção geral urgente.
Ela rapidamente perguntou:
--- A polícia deve ser envolvida?
--- Não, eu sei quem foi o responsável e a pessoa não deve ser incomodada, mas é primordial que não voltem a ocorrer violações. Qualquer novidade me avise.
A providência principal já estava tomada e eu esperava não ter mais que intervir sobre esse assunto. Nem sempre os desejos são atendidos...
Eu precisava de uma nova televisão, já que a anterior recusava-se a ligar. Provavelmente uma assistência técnica poderia resolver o problema, mas um ser noturno como eu sempre tem dificuldade para as atividades predominantemente diurnas, era mais fácil comprar um novo produto.
Pela internet eu poderia facilmente e com apenas algumas informações comprar a nova televisão, mas pessoas antigas como eu preferem comprar presencialmente suas necessidades.
Passei rapidamente pela portaria do prédio para pegar a correspondência, quando o zelador do condomínio me cumprimentou e cordialmente disse:
--- Aquela garota novamente o procurou e expliquei de novo que você trabalha de noite e é difícil encontrá-lo durante o dia. Ela disse que virá aqui hoje às nove.
--- Obrigado Seu Cícero. Eu estava de saída, mas vou ficar, quero saber de uma vez o que essa garota quer comigo.
Retornei ao apartamento para aguardar. Eu sempre procurava manter uma presença discreta no condomínio, afim de não atrair a atenção para meus diferentes horários, mas a situação exigia mais informações e providências em caso de necessidade.
Não aguardei muito e logo o interfone reportou a presença na portaria de minha misteriosa visitante. Antes de autorizar a subida olhei a garota pelo canal interno que mostrava a portaria. Parecia ser uma garota comum, magra, cabelos compridos castanhos claros, pele clara, aparentando ter dezessete ou dezoito anos, vestindo um traje esportivo adequado à idade. Eu precisava estar mais próximo dela para saber se ela era ou não um ser humano normal.
Logo a campainha tocou e com curiosidade, mas cautela eu abri a porta e falei:
--- Entre, fique a vontade, em que posso ajudá-la?
Eu já sabia que a garota era um ser humano comum, sua presença é de baixo risco, mas aprendi a nunca subestimar as pessoas, as vezes os erros são cometidos apenas uma vez.
Pude sentir uma grande surpresa na garota, mas nenhuma ameaça imediata. Algo na minha aparência havia chamado muita a atenção dela.
Fisicamente ela procurou ser discreta e tentou esconder a sua surpresa, entrou no apartamento vagarosamente e em silêncio dirigindo-se para o centro da sala.
--- Sente-se senhorita... o porteiro não me disse seu nome...
Sentando-se ela disse:
--- Elisabeth, Elisabeth Gouveia.
Sentei-me também, curioso por saber do que se tratava àquela visita, mas também querendo ser cauteloso. Se a situação o exigi-se minhas capacidades de vampiro seriam ativadas contra a minha visitante para a obtenção de informações.
--- Como posso ajudá-la Senhorita Elisabeth?
Ela respirou um pouco e começou a falar:
--- Só para confirmar, você é William Stone, nascido em Londres em 11 de junho de 1988, tem vinte e dois anos e está a dois anos no Brasil, estou correta?
Às vezes é complicado lembrar as muitas informações falsas constantes em inúmeros documentos falsos, mas as informações eram básicas e pude confirmar sem grande preocupação. Simplesmente respondi:
--- Está correto.
Ela continuou e pude sentir algum grau de alívio, embora a sensação de surpresa ainda estivesse presente em sua mente:
--- Eu tenho algumas informações que devem ser sigilosas, mas sei que você recebe mensalmente a quantia de sete mil dólares, convertidos para moeda local, depositados em sua conta corrente através de uma transferência bancária enviada pela Fundação Sol, que, não sei se você sabe, recebe anualmente uma verba significativa enviada por empresas sediadas na Inglaterra, na França, na Alemanha e nos Estados Unidos. A transferência financeira é mais discreta quando tem procedência de diversas fontes, as transferências estão sendo feitas originadas de mais de vinte empresas diferentes.
As informações haviam me apanhado de surpresa e levei alguns segundos para ordenar as idéias e compreender os detalhes. Já fazia mais de dois anos que todas as minhas atividades financeiras no Brasil haviam sido encerradas e quase todo o montante resultante enviado para aplicações em outros países. A Fundação Sol, empresa sem fins lucrativos, havia sido criada a cerca de quarenta anos em São Paulo, no Brasil, como forma lícita de obtenção de recursos financeiros em caso de necessidade. Estava sendo usada no momento como minha fonte de sustento, fazendo transferências mensais de montantes não muito altos, e também é a legítima proprietária do apartamento que eu vivo.
A garota tinha informações que não seriam muito simples de serem obtidas e que poderiam significar que a identidade William Stone poderia ter que desaparecer. O mais importante era descobrir mais informações antes de tomar decisões, então apenas falei:
--- Você está muito bem informada. Gostaria de saber o motivo de porque me trouxe essas informações.
Ela abriu sua bolsa a procura de algo. Não pude sentir qualquer ameaça, então não tomei qualquer ação defensiva e aguardei. Em alguns segundos ela achou o que procurava e estendeu-me uma foto.
Com cautela peguei a foto, e olhei-a. Era uma foto minha, o papel aparentava ter vários anos, eu estava descendo de um carro que tinha sido meu a uns vinte anos atrás. A foto havia sido tirada sem o meu conhecimento. Cautelosamente falei:
--- É uma pessoa que se parece bastante comigo. Mas o que isso tem a ver com a Fundação Sol?
Ela disse num impulso:
--- Essa pessoa é o meu pai.
Por um instante as velhas lembranças de anos atrás passaram rapidamente nas minhas memórias. Dezenove anos antes eu havia sido humano e mortal por um dia.
Durante a minha identidade anterior eu tive uma parceira fixa durante algum tempo. Alguém que adquiri certo carinho. Alguém que tive relações sexuais como se fosse um homem comum.
Há muito tempo que eu tenho posse de uma antiga poção, feita por anciões vampiros, que pode tornar um vampiro em um humano mortal uma vez a cada cinqüenta anos. O vampiro transformado perde suas capacidades de vampiro e pode sair na luz solar, mas tem as mesmas fraquezas de um ser humano, podendo até ser facilmente ferido ou morto. A poção torna um vampiro vivo por um dia.
Eu sabia que durante o meu dia de vida havia engravidado Suzane e acompanhei-a durante sua gravidez até o nascimento do bebê, quando desapareci de sua vida. Garanti que nada faltaria financeiramente para o crescimento da criança e utilizei a Fundação Sol para a transferência mensal de recursos para Suzane Gouveia, supostamente a mãe daquela jovem que estava a minha frente.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Elisabeth. Eu fiquei indiferente, a situação se tornou de risco, eu não tinha conhecimento de até onde Elisabeth sabia sobre meus segredos, mas mesmo investigações amplas e profundas da Fundação Sol não levariam a descoberta do que eu sou.
Continuei na busca por informações:
--- Então ambos recebemos uma mesada da Fundação Sol e eu me pareço com seu pai a anos atrás, tem outro motivo que a trouxe aqui?
Ela enxugou rapidamente a lágrima derramada e disse:
--- A semelhança entre vocês é muito grande, você sabe a razão pela qual recebe dinheiro da Fundação?
Eu havia deixado escapar que sabia que ela recebia a transferência da Fundação Sol, mas aquela era uma suposição válida para a situação. Estava bastante claro que ela imaginava que eu era seu irmão, seria uma suposição lógica. Minhas opções de omitir a verdade e não levantar muitas suspeitas eram restritas, então resolvi prosseguir nessa linha.
--- Meu pai deixou uma mesada para a minha mãe, depois que eu nasci. Passei a receber uma mesada também quando fiz dezoito anos. Quando vim ao Brasil passei a receber essa mesada pela Fundação Sol.
--- Você conheceu seu pai?
--- Não, minha mãe contou que ele desapareceu após meu nascimento. Isso significa que somos meio irmãos. Posso ajudá-la em mais alguma coisa?
Eu queria afastá-la ao máximo da minha vida, ou isso poderia colocá-la em risco. A pós vida de um vampiro não é a situação mais segura possível. Minha frieza e indiferença a afastariam.
--- Eu esperava que você pudesse me dizer onde está nosso pai, mas vejo que você não sabe e nem se importa.
--- Olha, acho que se ele quisesse nos conhecer, já teria feito isso. Acho que você deveria cuidar da sua vida e esquecer que um dia teve um pai.
Levantando-se ela disse:
--- Acho que vou fazer isso, pelo visto esse é um assunto que não lhe interessa, não lhe incomodarei mais.
Poderia ser arriscado, mas eu precisava de mais informações, então perguntei:
--- Antes de sair, eu gostaria de saber como você obteve essas informações sobre a Fundação?
Ela permaneceu por algum tempo em silêncio. Acho que estava em dúvida se deveria me dizer algo. Por fim disse:
--- Eu invadi os computadores da Fundação e copiei muitas informações. Minha mãe morreu num acidente há dois meses atrás, pensei que assim localizaria meu pai. Se não tiver outras perguntas...
Outras perguntas naquele momento poderiam levantar suspeitas e investigações posteriores revelariam mais. Por hora aquele se tornou um assunto encerrado e encerrei o mais rápido possível aquele encontro:
--- Não, espero que suas atividades não prejudiquem o envio de minha mesada. Passar bem.
Abri a porta e a garota foi rapidamente embora. Eu podia sentir seu desprezo pela minha pessoa quando ela foi embora, mas isso era uma percepção necessária.
Após fechar a porta só pude lamentar. Estivera frente a frente com minha filha, alguém que no fundo dos meus sentimentos eu amava, mas que para sua segurança deveria permanecer longe e desconhecendo suas verdadeiras origens.
Peguei o telefone e disquei o longo número de um celular em Londres. Logo que a pessoa do outro lado me atendeu falei:
--- Kathrin, os computadores da Fundação Sol aqui no Brasil foram violados, é necessária uma manutenção geral urgente.
Ela rapidamente perguntou:
--- A polícia deve ser envolvida?
--- Não, eu sei quem foi o responsável e a pessoa não deve ser incomodada, mas é primordial que não voltem a ocorrer violações. Qualquer novidade me avise.
A providência principal já estava tomada e eu esperava não ter mais que intervir sobre esse assunto. Nem sempre os desejos são atendidos...