Fernando Firpo
As noites na cidade de São Paulo são agitadas. A cidade que nunca para tem uma noite bastante rica: casas noturnas, super mercados, lojas de conveniência, padarias, cafés, bares, pizzarias, etc.
Com isso a vida ou pós-vida de um vampiro se torna muito mais interessante. No passado era necessário buscar alimentos na noite, hoje os alimentos vêem até nós.
O Príncipe Trey mantém um regime de razoável paz na cidade. Acordos com outros seres têm evitado conflitos desnecessários e a influência no mundo mortal está excelente.
Fazia apenas duas semanas que eu havia assumido a Primigênie do Clã Toreador em São Paulo. Trey procurava montar uma estrutura forte a sua volta e estava obtendo sucesso. A cidade estava forte e razoavelmente segura.
Eu hesitei bastante em aceitar a responsabilidade da liderança. É sempre arriscado permanecer muito numa mesma cidade, ocupando uma posição que atrairia inveja e interesses. Minha terra é a Europa, principalmente a Inglaterra e a França, locais onde mantenho meus negócios e minha influência.
Mesmo numa quarta-feira quase à meia-noite a Casa Cardeal estava lotada. Eu estava tratando de negócios.
A maioria acharia estranho tratar de negócios numa casa noturna, com variadas músicas e pessoas se empurrando. Eu gostava da Casa Cardeal, por oferecer desde um ambiente interno ensurdecedor até um bar interno bastante calmo e apenas com música de fundo. Um televisor mostrava a reprise de um jogo de futebol da Copa do Mundo da Espanha do dia anterior. É numa mesa localizada no ambiente de música de fundo que estávamos.
--- Investir num local como São Paulo? Não seria muito mais lucrativo deixar os negócios na Europa e na América do Norte, um mercado muito mais estável?
A melodiosa voz é de meu braço direito Cathrin, a mulher de ferro dos negócios, minha filha e melhor amiga. Ela não é uma vampira, mas comanda meus negócios com eficiência desde antes da segunda guerra mundial. Sua aparência seria de uma elegante mulher mortal de aproximadamente quarenta anos, mas na realidade ela tem mais que isso e também muito mais capacidades desconhecidas que um mortal comum.
A conversa acontecia em inglês, Cathrin é russa, mas vive em Londres e não fala português.
Eu repliquei:
--- Sim, talvez, mas eu quero uma ligação mais forte com o Brasil. Atualmente sou somente um estrangeiro por aqui. Quero um negócio autêntico estabelecido. Acho interessante expandir negócios para cá. Não sei por quanto tempo permanecerei nesse país, mas é possível que por um período longo.
--- Arriscado e desnecessário. Sua renda entrou legalmente no país, o apartamento em que você mora foi comprado e está em seu nome, pelo menos a identidade francesa que usa atualmente. Sempre que necessário podemos fazer entrar dinheiro legalmente ou ilegalmente para aqui, qual a necessidade de ter uma renda ou um negócio autêntico? Não que esqueça de um ser inconveniente chamado burocracia. O Brasil é famoso pelos negócios frustrados e amarrados nas teias da burocracia. Ainda mais sendo uma casa noturna, você não tem nenhuma casa noturna, não pensou em nenhum outro negócio mais estável?
--- Acho que uma casa noturna é um negócio ideal para começar. Uma estrutura não muito grande, uma influência sobre a noite, um negócio que pode funcionar sem muitas intervenções minhas. Imagino um local como esse, talvez menor. Podemos usar alguma de nossas companhias fazendo parte principal do investimento e usando meu nome em apenas outra parte. Tenho idéias de outros negócios e já tenho uma proposta comercial interessante, mas isso fica para análises posteriores. Não quero trazer muito capital em pouco tempo que possa chamar demais a atenção.
--- Se é o que você realmente deseja, vejamos as possibilidades. Seria menos arriscado um local já estabelecido. Já pensou em comprar esse local em que estamos?
--- Me passou pela cabeça, mas tenho minhas dúvidas. É um investimento meio alto. A Casa Cardeal é relativamente famosa. Não acredito que estariam interessados em efetuar a venda, teríamos que usar métodos para convencê-los ou incentivá-los.
--- Sim, mas seria um retorno mais garantido. Tenho sua autorização para iniciar negociações da compra desse local?
Pensei um pouco antes de responder. Mas logo falei:
--- Sim. Use algum dos grupos internacionais como sócio na compra, um que meu nome não apareça. Eu serei apenas um sócio minoritário, digamos uns quinze ou vinte por cento, mais se algum dispositivo legal assim o exigir. Quero ser o único sócio aqui no país.
Ela ficou calada alguns segundos. Acredito que tenha feito alguns cálculos mentais. Também digitou alguma coisa em sua agenda eletrônica e depois disse:
--- Você não tem legalmente todo o capital necessário aqui no Brasil, teremos que entrar com o capital necessário legalmente. Iniciarei as negociações. Vou ao toalete.
Ela levantou-se e deixou o local. Ela estava fora do seu ambiente, uma tradicional mulher de negócios acostumada a um tradicional e calmo escritório.
Embora eu não estivesse com muita fome, comecei a procurar minha próxima alimentação. A escolha era farta, e usando de capacidades de um vampiro, não havia mulher que pudesse resistir.
Eu sabia como um mortal se sentia diante de certas capacidades de um vampiro. Mesmo outros vampiros são afetados por essas capacidades. Uma pessoa, não importando se homem ou mulher, se sentia extremamente fascinada e apaixonada. Um sentimento que se torna tão forte que faz com que a pessoa se comporte irracionalmente e podendo se entregar totalmente, variando de pessoa para pessoa.
Também existe o êxtase que é ser bebido por um vampiro, um prazer inigualável. A união de um amor forçado e irracional, com um prazer indescritível faz com que muitas pessoas procurem a companhia de vampiros, mesmo não sabendo exatamente do que se trata e o que somos.
A harmonia do ambiente foi interrompida por tiros. Os estampidos secos atravessavam e venciam a música do local. O pânico tomou conta das pessoas, muitos corriam, gritavam ou choravam. A música parou de tocar ao mesmo tempo em que uma voz feminina e decidida disse através de um alto-falante interno:
--- Fiquem todos calmos e não haverá feridos. Estamos assaltando esse local! Colaborem entregando tudo o que tem de valor.
Pude ver a autora da informação, uma garota bonita de cabelos compridos e castanhos claros, trajando roupa de couro preta e botas longas. Com ela haviam mais dois homens com roupas negras, jaquetas de couro e cabelos compridos. Todos estavam armados.
Outros homens apareceram vindos de outra parte do salão, mas devido à confusão de pessoas não pude precisar quantos eram.
Bastou mais um instante e percebi que a garota e os homens que estavam com ela eram vampiros. Posso enxergar suas auras pálidas em meio as diferentes auras dos mortais presentes.
Com medo passei a procurar Cathrin. Eu não a enxergava, mas sabia que ela não estaria longe. Eu não conhecia até onde chegavam às capacidades de minha filha, desconhecia quantos tiros ela poderia absorver e se restaurar.
Os criminosos passavam pelas pessoas, estavam recolhendo carteiras, relógios e mais o que as pessoas cediam em vários sacos plásticos.
Uma rajada de metralhadora novamente atormentou o ambiente e nervoso presenciei dois corpos caírem inertes ao chão. A garota berrou:
--- Vocês querem morrer? Gente estúpida!
Um dos criminosos colocou um saco em minha frente, por puro instinto empurrei o saco ao mesmo tempo em que senti um tiro penetrar em meu peito.
Eu não esperava o disparo, mas pude agüentar bem o impacto. Não cheguei a cair para trás, mas desequilibrei por um pequeno instante. Berrando falei:
--- Seu imbecil, pare com isso!
Ele deve ter ficado bastante confuso, puxou o gatilho para mais um disparo, mas eu consegui ser mais rápido e com uma pancada forte abaixei o braço do vampiro fazendo ele disparar ao solo.
Os outros criminosos, empurrando as pessoas, se aproximaram de mim. Temi que eles começassem um massacre, então levantei os braços e falei:
--- Esperem! Eu me rendo, não façam nenhuma...
Mais um tiro disparado e em um segundo a pessoa ao meu lado desfaleceu para o chão.
Seria possível que eu fizesse mais, mas isso exigiria que eu mostrasse capacidades fantásticas em frente a muitos olhares curiosos. Se eu fizesse tal coisa teria que matar a todos do recinto.
A garota colocou a arma em meu queixo de forma violenta. Eu rapidamente sussurrei:
--- Sua idiota, o Príncipe Trey vai arrancar a sua cabeça.
Ela congelou. Acho que jamais imaginava que alguém por ali era um vampiro, e jamais imaginaria também que eu era um membro importante, um dos poderosos na liderança da cidade.
Ela abaixou a arma e também disse sussurrando:
--- Quem é você?
--- Bill Thorn, Primogênio Toreador de São Paulo.
A informação caiu como uma bomba para a vampira. Ela sabia que poderia estar numa situação complicada e que estava lidando com um vampiro poderoso. Disparando para o alto gritou:
--- Vamos embora, já temos o que queremos, viram, foram poucas mortes...
Os assaltantes começaram rapidamente a deixar a casa noturna. Pude perceber que nem todos eram vampiros, possivelmente alguns eram apenas lacaios.
Cathrin muito assustada saiu da multidão e me amparando disse:
--- Você está bem? Que bela cidade você vive.
--- Não foi nada, por sorte eles não me feriram.
Cathrin, olhando para o meu peito sabia que era uma mentira, mas havia muitos olhares curiosos que procuravam entender mais da situação.
A polícia logo chegou ao local. Eu não me ausentei, procurei responder da melhor maneira possível às perguntas feitas. Também atuei como intérprete para responder algumas perguntas feitas a Cathrin. Em certo momento um investigador que nem fiquei sabendo o nome perguntou:
--- Algumas pessoas disseram que o senhor conversou em voz baixa com a líder dos criminosos por algum tempo, sobre o que conversaram?
Já um pouco sem paciência e querendo tirar rapidamente Cathrin daquele lugar falei:
--- Infelizmente o ocorrido deixou a todos muito abalados, tenho que levar minha funcionária embora. Mas posso prestar qualquer depoimento necessário posteriormente.
Eu nunca cheguei a ser convocado para qualquer depoimento sobre esse caso. Talvez outros tenham feito manipulações para que o caso fosse rapidamente esquecido, não cheguei a ficar sabendo de nada.
Em apenas três semanas acabei me tornando sócio minoritário da Casa Cardeal, estabelecimento comprado por um grupo de empresas londrina, com sócios espalhados em diferentes paraísos fiscais.
A vampira que liderava os criminosos eu logo vim a conhecer, Kimberly Chambers ainda viria a ser uma personagem importante no palco da pós-vida da cidade de São Paulo.
Com isso a vida ou pós-vida de um vampiro se torna muito mais interessante. No passado era necessário buscar alimentos na noite, hoje os alimentos vêem até nós.
O Príncipe Trey mantém um regime de razoável paz na cidade. Acordos com outros seres têm evitado conflitos desnecessários e a influência no mundo mortal está excelente.
Fazia apenas duas semanas que eu havia assumido a Primigênie do Clã Toreador em São Paulo. Trey procurava montar uma estrutura forte a sua volta e estava obtendo sucesso. A cidade estava forte e razoavelmente segura.
Eu hesitei bastante em aceitar a responsabilidade da liderança. É sempre arriscado permanecer muito numa mesma cidade, ocupando uma posição que atrairia inveja e interesses. Minha terra é a Europa, principalmente a Inglaterra e a França, locais onde mantenho meus negócios e minha influência.
Mesmo numa quarta-feira quase à meia-noite a Casa Cardeal estava lotada. Eu estava tratando de negócios.
A maioria acharia estranho tratar de negócios numa casa noturna, com variadas músicas e pessoas se empurrando. Eu gostava da Casa Cardeal, por oferecer desde um ambiente interno ensurdecedor até um bar interno bastante calmo e apenas com música de fundo. Um televisor mostrava a reprise de um jogo de futebol da Copa do Mundo da Espanha do dia anterior. É numa mesa localizada no ambiente de música de fundo que estávamos.
--- Investir num local como São Paulo? Não seria muito mais lucrativo deixar os negócios na Europa e na América do Norte, um mercado muito mais estável?
A melodiosa voz é de meu braço direito Cathrin, a mulher de ferro dos negócios, minha filha e melhor amiga. Ela não é uma vampira, mas comanda meus negócios com eficiência desde antes da segunda guerra mundial. Sua aparência seria de uma elegante mulher mortal de aproximadamente quarenta anos, mas na realidade ela tem mais que isso e também muito mais capacidades desconhecidas que um mortal comum.
A conversa acontecia em inglês, Cathrin é russa, mas vive em Londres e não fala português.
Eu repliquei:
--- Sim, talvez, mas eu quero uma ligação mais forte com o Brasil. Atualmente sou somente um estrangeiro por aqui. Quero um negócio autêntico estabelecido. Acho interessante expandir negócios para cá. Não sei por quanto tempo permanecerei nesse país, mas é possível que por um período longo.
--- Arriscado e desnecessário. Sua renda entrou legalmente no país, o apartamento em que você mora foi comprado e está em seu nome, pelo menos a identidade francesa que usa atualmente. Sempre que necessário podemos fazer entrar dinheiro legalmente ou ilegalmente para aqui, qual a necessidade de ter uma renda ou um negócio autêntico? Não que esqueça de um ser inconveniente chamado burocracia. O Brasil é famoso pelos negócios frustrados e amarrados nas teias da burocracia. Ainda mais sendo uma casa noturna, você não tem nenhuma casa noturna, não pensou em nenhum outro negócio mais estável?
--- Acho que uma casa noturna é um negócio ideal para começar. Uma estrutura não muito grande, uma influência sobre a noite, um negócio que pode funcionar sem muitas intervenções minhas. Imagino um local como esse, talvez menor. Podemos usar alguma de nossas companhias fazendo parte principal do investimento e usando meu nome em apenas outra parte. Tenho idéias de outros negócios e já tenho uma proposta comercial interessante, mas isso fica para análises posteriores. Não quero trazer muito capital em pouco tempo que possa chamar demais a atenção.
--- Se é o que você realmente deseja, vejamos as possibilidades. Seria menos arriscado um local já estabelecido. Já pensou em comprar esse local em que estamos?
--- Me passou pela cabeça, mas tenho minhas dúvidas. É um investimento meio alto. A Casa Cardeal é relativamente famosa. Não acredito que estariam interessados em efetuar a venda, teríamos que usar métodos para convencê-los ou incentivá-los.
--- Sim, mas seria um retorno mais garantido. Tenho sua autorização para iniciar negociações da compra desse local?
Pensei um pouco antes de responder. Mas logo falei:
--- Sim. Use algum dos grupos internacionais como sócio na compra, um que meu nome não apareça. Eu serei apenas um sócio minoritário, digamos uns quinze ou vinte por cento, mais se algum dispositivo legal assim o exigir. Quero ser o único sócio aqui no país.
Ela ficou calada alguns segundos. Acredito que tenha feito alguns cálculos mentais. Também digitou alguma coisa em sua agenda eletrônica e depois disse:
--- Você não tem legalmente todo o capital necessário aqui no Brasil, teremos que entrar com o capital necessário legalmente. Iniciarei as negociações. Vou ao toalete.
Ela levantou-se e deixou o local. Ela estava fora do seu ambiente, uma tradicional mulher de negócios acostumada a um tradicional e calmo escritório.
Embora eu não estivesse com muita fome, comecei a procurar minha próxima alimentação. A escolha era farta, e usando de capacidades de um vampiro, não havia mulher que pudesse resistir.
Eu sabia como um mortal se sentia diante de certas capacidades de um vampiro. Mesmo outros vampiros são afetados por essas capacidades. Uma pessoa, não importando se homem ou mulher, se sentia extremamente fascinada e apaixonada. Um sentimento que se torna tão forte que faz com que a pessoa se comporte irracionalmente e podendo se entregar totalmente, variando de pessoa para pessoa.
Também existe o êxtase que é ser bebido por um vampiro, um prazer inigualável. A união de um amor forçado e irracional, com um prazer indescritível faz com que muitas pessoas procurem a companhia de vampiros, mesmo não sabendo exatamente do que se trata e o que somos.
A harmonia do ambiente foi interrompida por tiros. Os estampidos secos atravessavam e venciam a música do local. O pânico tomou conta das pessoas, muitos corriam, gritavam ou choravam. A música parou de tocar ao mesmo tempo em que uma voz feminina e decidida disse através de um alto-falante interno:
--- Fiquem todos calmos e não haverá feridos. Estamos assaltando esse local! Colaborem entregando tudo o que tem de valor.
Pude ver a autora da informação, uma garota bonita de cabelos compridos e castanhos claros, trajando roupa de couro preta e botas longas. Com ela haviam mais dois homens com roupas negras, jaquetas de couro e cabelos compridos. Todos estavam armados.
Outros homens apareceram vindos de outra parte do salão, mas devido à confusão de pessoas não pude precisar quantos eram.
Bastou mais um instante e percebi que a garota e os homens que estavam com ela eram vampiros. Posso enxergar suas auras pálidas em meio as diferentes auras dos mortais presentes.
Com medo passei a procurar Cathrin. Eu não a enxergava, mas sabia que ela não estaria longe. Eu não conhecia até onde chegavam às capacidades de minha filha, desconhecia quantos tiros ela poderia absorver e se restaurar.
Os criminosos passavam pelas pessoas, estavam recolhendo carteiras, relógios e mais o que as pessoas cediam em vários sacos plásticos.
Uma rajada de metralhadora novamente atormentou o ambiente e nervoso presenciei dois corpos caírem inertes ao chão. A garota berrou:
--- Vocês querem morrer? Gente estúpida!
Um dos criminosos colocou um saco em minha frente, por puro instinto empurrei o saco ao mesmo tempo em que senti um tiro penetrar em meu peito.
Eu não esperava o disparo, mas pude agüentar bem o impacto. Não cheguei a cair para trás, mas desequilibrei por um pequeno instante. Berrando falei:
--- Seu imbecil, pare com isso!
Ele deve ter ficado bastante confuso, puxou o gatilho para mais um disparo, mas eu consegui ser mais rápido e com uma pancada forte abaixei o braço do vampiro fazendo ele disparar ao solo.
Os outros criminosos, empurrando as pessoas, se aproximaram de mim. Temi que eles começassem um massacre, então levantei os braços e falei:
--- Esperem! Eu me rendo, não façam nenhuma...
Mais um tiro disparado e em um segundo a pessoa ao meu lado desfaleceu para o chão.
Seria possível que eu fizesse mais, mas isso exigiria que eu mostrasse capacidades fantásticas em frente a muitos olhares curiosos. Se eu fizesse tal coisa teria que matar a todos do recinto.
A garota colocou a arma em meu queixo de forma violenta. Eu rapidamente sussurrei:
--- Sua idiota, o Príncipe Trey vai arrancar a sua cabeça.
Ela congelou. Acho que jamais imaginava que alguém por ali era um vampiro, e jamais imaginaria também que eu era um membro importante, um dos poderosos na liderança da cidade.
Ela abaixou a arma e também disse sussurrando:
--- Quem é você?
--- Bill Thorn, Primogênio Toreador de São Paulo.
A informação caiu como uma bomba para a vampira. Ela sabia que poderia estar numa situação complicada e que estava lidando com um vampiro poderoso. Disparando para o alto gritou:
--- Vamos embora, já temos o que queremos, viram, foram poucas mortes...
Os assaltantes começaram rapidamente a deixar a casa noturna. Pude perceber que nem todos eram vampiros, possivelmente alguns eram apenas lacaios.
Cathrin muito assustada saiu da multidão e me amparando disse:
--- Você está bem? Que bela cidade você vive.
--- Não foi nada, por sorte eles não me feriram.
Cathrin, olhando para o meu peito sabia que era uma mentira, mas havia muitos olhares curiosos que procuravam entender mais da situação.
A polícia logo chegou ao local. Eu não me ausentei, procurei responder da melhor maneira possível às perguntas feitas. Também atuei como intérprete para responder algumas perguntas feitas a Cathrin. Em certo momento um investigador que nem fiquei sabendo o nome perguntou:
--- Algumas pessoas disseram que o senhor conversou em voz baixa com a líder dos criminosos por algum tempo, sobre o que conversaram?
Já um pouco sem paciência e querendo tirar rapidamente Cathrin daquele lugar falei:
--- Infelizmente o ocorrido deixou a todos muito abalados, tenho que levar minha funcionária embora. Mas posso prestar qualquer depoimento necessário posteriormente.
Eu nunca cheguei a ser convocado para qualquer depoimento sobre esse caso. Talvez outros tenham feito manipulações para que o caso fosse rapidamente esquecido, não cheguei a ficar sabendo de nada.
Em apenas três semanas acabei me tornando sócio minoritário da Casa Cardeal, estabelecimento comprado por um grupo de empresas londrina, com sócios espalhados em diferentes paraísos fiscais.
A vampira que liderava os criminosos eu logo vim a conhecer, Kimberly Chambers ainda viria a ser uma personagem importante no palco da pós-vida da cidade de São Paulo.
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